Família denuncia agressão a jovem em crise psiquiátrica dentro de unidade de saúde de Campo Grande
- 2026-08-16 17:51:41
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Família de jovem em surto psiquiátrico acusa agente de segurança de agressão
Um jovem de 22 anos em crise psiquiátrica foi agredido durante atendimento no Centro Regional de Saúde (CRS) do Aero Rancho, em Campo Grande. Segundo a família, ele foi segurado pelo pescoço e derrubado no chão por um guarda civil. O caso foi denunciado à Guarda Civil Metropolitana (GCM) e à Secretaria Municipal de Saúde.
À reportagem, a família contou que o jovem aguardava uma vaga em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) para continuar o tratamento. Após a denúncia, a Central de Regulação informou à mãe que a vaga havia sido liberada.
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Nas imagens, é possível ver uma discussão entre o jovem e um guarda civil metropolitano. Segundo a mãe, Mônica de Moraes, a gravação está incompleta porque a pessoa que filmava teria sido coagida a interromper o registro.
"Quem tem que conter são os enfermeiros, são os técnicos, os profissionais de saúde. E não deixar um segurança e tipo, os profissionais de saúde ficam todo mundo ao redor vendo meu filho caindo do chão", informou.
Segundo a família, o jovem está internado no CRS do Aero Rancho e aguardava havia mais de 20 dias uma transferência para um CAPS. Um laudo médico aponta que ele teve o primeiro surto psicótico em 2023, quando ainda estava no serviço militar.
O documento recomenda tratamento contínuo.
Após o episódio, a família denunciou o caso à GCM e à Secretaria Municipal de Saúde. Mônica também pretende recorrer à Justiça para conseguir a transferência do filho.
O cunhado da família também reclama da falta de vagas para pacientes que precisam de atendimento psiquiátrico.
“As pessoas estão à mercê, estão abandonadas, ou seja, não existe vaga no CAPS. Por que não tem vaga no CAPS? Qual é o motivo? Qual é a explicação? Não, ninguém explica nada, só a palavra que se diz é que não tem vaga".
Trecho de vídeo em que jovem aparece sendo contido em UPA de Campo Grande
Reprodução
Espera por vagas
Na enfermaria onde o jovem está internado, há outros quatro pacientes psiquiátricos. O irmão de Maciel Souza, que também está na unidade, espera por uma vaga em um CAPS. Segundo ele, o irmão também teria sido vítima de agressão verbal pelo mesmo segurança.
“Aqui não é um lugar para cuidar de um tratamento psiquiátrico. Aqui é uma UPA 24 horas, para tratar um clínico. Não tem psiquiatra, tem clínico geral. São ríspidos, eles não estão preparados para isso”, finaliza Maciel.
O acompanhante afirma ainda que está na unidade há dez dias e que presenciou outros casos que, segundo ele, envolveram agressões e pacientes liberados sem melhora.
“Já vi pessoas sendo agredidas, já vi pessoas sendo maltratadas, pessoas sendo liberadas sem estar boas, sem estar com problemas psiquiátricos, de suicídios, de vícios", afirmou.
Avaliação de especialista
Em situações de crise psiquiátrica, profissionais de saúde devem seguir protocolos para avaliar o estado do paciente e reduzir os riscos antes de realizar uma contenção física.
Segundo o psiquiatra Eduardo Araújo, especialista em saúde mental, o primeiro passo é avaliar o nível de agitação, retirar objetos que possam causar ferimentos e conversar com o paciente. A contenção física deve ser adotada apenas quando essas medidas não forem suficientes e houver risco para o paciente ou para outras pessoas.
“Identificando que aquele paciente está agitado, colocando em risco a própria vida, a vida da equipe, colocando em risco a integridade física de parentes, acompanhantes, o profissional de saúde deve agir. Deve agir no sentido de conter, de causar uma proteção para aquele indivíduo e para o ambiente"
Quando a contenção é necessária, o especialista explica que a equipe deve evitar a região do pescoço e realizar o procedimento de forma coordenada.
“O primeiro passo a ser adotado é observar o ambiente, tirar tudo que for material pontiagudo que possa colocar em risco, pode ser usado como arma e verbalizar com aquele paciente. A verbalização deve ser calma, deve ser objetiva, sem muitas palavras, e não pode ser uma verbalização provocativa, em ameaça, porque senão vai deixar aquele paciente ainda mais agitado", explica.
O especialista afirma que a abordagem mostrada no caso não segue os procedimentos recomendados para situações de crise psiquiátrica. “A gente vê que faltou preparo dos profissionais".
A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Saúde e a Secretaria Especial de Segurança e Defesa Social para saber quais medidas foram tomadas após o caso.
Em nota, a Secretaria Especial de Segurança e Defesa Social informou que tomou conhecimento do caso. Segundo a pasta, a denúncia foi recebida pela Ouvidoria e encaminhada à Corregedoria para apuração dos fatos e adoção das medidas administrativas cabíveis.
A secretaria também informou que os agentes da Guarda Civil Metropolitana que atuam em unidades de saúde recebem capacitação e orientações para abordar pacientes em situações como essa.
Após mais de 20 dias de espera, a mãe informou que a Central de Regulação liberou uma vaga em um CAPS para o filho.
Um jovem de 22 anos em crise psiquiátrica foi agredido durante atendimento no Centro Regional de Saúde (CRS) do Aero Rancho, em Campo Grande. Segundo a família, ele foi segurado pelo pescoço e derrubado no chão por um guarda civil. O caso foi denunciado à Guarda Civil Metropolitana (GCM) e à Secretaria Municipal de Saúde.
À reportagem, a família contou que o jovem aguardava uma vaga em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) para continuar o tratamento. Após a denúncia, a Central de Regulação informou à mãe que a vaga havia sido liberada.
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Nas imagens, é possível ver uma discussão entre o jovem e um guarda civil metropolitano. Segundo a mãe, Mônica de Moraes, a gravação está incompleta porque a pessoa que filmava teria sido coagida a interromper o registro.
"Quem tem que conter são os enfermeiros, são os técnicos, os profissionais de saúde. E não deixar um segurança e tipo, os profissionais de saúde ficam todo mundo ao redor vendo meu filho caindo do chão", informou.
Segundo a família, o jovem está internado no CRS do Aero Rancho e aguardava havia mais de 20 dias uma transferência para um CAPS. Um laudo médico aponta que ele teve o primeiro surto psicótico em 2023, quando ainda estava no serviço militar.
O documento recomenda tratamento contínuo.
Após o episódio, a família denunciou o caso à GCM e à Secretaria Municipal de Saúde. Mônica também pretende recorrer à Justiça para conseguir a transferência do filho.
O cunhado da família também reclama da falta de vagas para pacientes que precisam de atendimento psiquiátrico.
“As pessoas estão à mercê, estão abandonadas, ou seja, não existe vaga no CAPS. Por que não tem vaga no CAPS? Qual é o motivo? Qual é a explicação? Não, ninguém explica nada, só a palavra que se diz é que não tem vaga".
Trecho de vídeo em que jovem aparece sendo contido em UPA de Campo Grande
Reprodução
Espera por vagas
Na enfermaria onde o jovem está internado, há outros quatro pacientes psiquiátricos. O irmão de Maciel Souza, que também está na unidade, espera por uma vaga em um CAPS. Segundo ele, o irmão também teria sido vítima de agressão verbal pelo mesmo segurança.
“Aqui não é um lugar para cuidar de um tratamento psiquiátrico. Aqui é uma UPA 24 horas, para tratar um clínico. Não tem psiquiatra, tem clínico geral. São ríspidos, eles não estão preparados para isso”, finaliza Maciel.
O acompanhante afirma ainda que está na unidade há dez dias e que presenciou outros casos que, segundo ele, envolveram agressões e pacientes liberados sem melhora.
“Já vi pessoas sendo agredidas, já vi pessoas sendo maltratadas, pessoas sendo liberadas sem estar boas, sem estar com problemas psiquiátricos, de suicídios, de vícios", afirmou.
Avaliação de especialista
Em situações de crise psiquiátrica, profissionais de saúde devem seguir protocolos para avaliar o estado do paciente e reduzir os riscos antes de realizar uma contenção física.
Segundo o psiquiatra Eduardo Araújo, especialista em saúde mental, o primeiro passo é avaliar o nível de agitação, retirar objetos que possam causar ferimentos e conversar com o paciente. A contenção física deve ser adotada apenas quando essas medidas não forem suficientes e houver risco para o paciente ou para outras pessoas.
“Identificando que aquele paciente está agitado, colocando em risco a própria vida, a vida da equipe, colocando em risco a integridade física de parentes, acompanhantes, o profissional de saúde deve agir. Deve agir no sentido de conter, de causar uma proteção para aquele indivíduo e para o ambiente"
Quando a contenção é necessária, o especialista explica que a equipe deve evitar a região do pescoço e realizar o procedimento de forma coordenada.
“O primeiro passo a ser adotado é observar o ambiente, tirar tudo que for material pontiagudo que possa colocar em risco, pode ser usado como arma e verbalizar com aquele paciente. A verbalização deve ser calma, deve ser objetiva, sem muitas palavras, e não pode ser uma verbalização provocativa, em ameaça, porque senão vai deixar aquele paciente ainda mais agitado", explica.
O especialista afirma que a abordagem mostrada no caso não segue os procedimentos recomendados para situações de crise psiquiátrica. “A gente vê que faltou preparo dos profissionais".
A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Saúde e a Secretaria Especial de Segurança e Defesa Social para saber quais medidas foram tomadas após o caso.
Em nota, a Secretaria Especial de Segurança e Defesa Social informou que tomou conhecimento do caso. Segundo a pasta, a denúncia foi recebida pela Ouvidoria e encaminhada à Corregedoria para apuração dos fatos e adoção das medidas administrativas cabíveis.
A secretaria também informou que os agentes da Guarda Civil Metropolitana que atuam em unidades de saúde recebem capacitação e orientações para abordar pacientes em situações como essa.
Após mais de 20 dias de espera, a mãe informou que a Central de Regulação liberou uma vaga em um CAPS para o filho.
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