'Somos a voz dela': família diz que busca justiça por Fabíola após laudo afastar hipótese de suicídio
- 2026-07-31 13:48:46
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Armas foram apreendidas pela polícia
"Fazer justiça pela Fabíola". É assim que José Flavio Marcotti e Patrícia Marcotti, irmão e cunhada da fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos, definem a luta da família desde a morte dela. Fabíola foi encontrada morta em uma casa na Chácara dos Poderes, em Campo Grande, no dia 18 de maio deste ano. A família afirma que busca esclarecer o caso e responsabilizar os envolvidos, caso o crime seja confirmado.
Segundo a família, a convicção de que Fabíola não tirou a própria vida surgiu no dia em que os parentes tiveram acesso ao corpo, antes mesmo da divulgação do laudo pericial. Após a conclusão do exame necroscópico, os familiares afirmam que o documento do Instituto de Medicina e Odontologia Legal de Mato Grosso do Sul (Imol-MS) reforça a suspeita de feminicídio.
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"A gente é a voz dela agora. Então, a gente conseguiu fazer disso uma justiça pela Fabíola", disseram.
Desde a morte da fisioterapeuta, a investigação considera duas possibilidades: feminicídio ou suicídio. O principal suspeito é o marido dela, o médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos. Ele chegou a ser preso, mas atualmente cumpre prisão domiciliar e é monitorado por tornozeleira eletrônica.
Família diz que suspeitou da versão de suicídio desde o início
O casal, que mora em São Sebastião (SP), contou ao g1 que viajou para Campo Grande assim que soube da morte de Fabíola. No dia seguinte à chegada, pediu para ver o corpo antes do funeral.
"Eram muitas coisas que não faziam sentido. Quando vimos a Fabíola, tivemos certeza de que aquilo não era um suicídio. Naquele momento, nós entendemos que precisávamos falar por ela."
Segundo a família, um profissional que acompanhava os procedimentos na funerária também demonstrou estranheza. De acordo com os familiares, ele afirmou já ter visto diversos casos de suicídio ao longo da carreira, mas disse que nunca havia encontrado uma situação semelhante.
Os familiares afirmam que, antes mesmo da conclusão da perícia, já havia indícios que levantavam dúvidas sobre a hipótese inicial. Eles citam os ferimentos no corpo, a posição em que Fabíola foi encontrada e a forma como a arma estava ao lado da vítima.
Ainda conforme o casal, Fabíola apresentava hematomas em diferentes partes do corpo, como rosto, mão e coxa. Segundo eles, esses ferimentos reforçam a suspeita de violência doméstica durante o casamento.
Família diz que Fabíola planejava recomeçar a vida
"A gente já sabia o quanto estava sendo difícil o casamento, tanto que a gente queria trazer ela pra cá pra ela refazer a vida dela. Porque lá, ela não podia, ela não tinha vida, ela não podia mais trabalhar, não podia sair, não podia fazer nada", contou a cunhada.
A cunhada afirmou que conversou com Fabíola pouco antes da morte e planejava levá-la para o litoral paulista.
"Ela ligava chorando e pedia ajuda. Nós queríamos trazê-la para São Sebastião para que pudesse recomeçar a vida, voltar a trabalhar e reconstruir a rotina. Infelizmente, não deu tempo", relataram.
Segundo a família, o isolamento era tão intenso que funcionários da propriedade eram orientados a evitar contato com Fabíola.
"Ela queria recomeçar. Nunca demonstrou qualquer intenção de tirar a própria vida. Pelo contrário, estávamos planejando trazê-la para perto da família", disse.
O casal afirma que acompanha o trabalho da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) e diz confiar na condução da investigação.
Segundo os familiares, a polícia pediu mais prazo para concluir diligências e reunir provas técnicas.
Apesar disso, a família critica a decisão da Justiça que permitiu ao investigado responder ao processo em liberdade, com uso de tornozeleira eletrônica.
"A sensação é de impunidade", afirmaram.
Relembre o caso
A fisioterapeuta Fabíola Marcotti foi encontrada morta com um tiro na cabeça dentro de casa. O esposo da vítima, o médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, chegou a chamar a polícia e afirmou que a mulher teria tirado a própria vida. O caso aconteceu no dia 18 de maio deste ano.
No dia seguinte, em 19 de maio, o médico foi preso em flagrante após a polícia encontrar armas sem documento na casa onde a morte aconteceu.
Em 20 de maio, a prisão foi convertida para preventiva e João Jazbik Neto foi indiciado pelos crimes de posse irregular de arma de fogo e fraude processual.
Desde a morte de Fabíola, o caso é investigado como feminicídio ou suicídio. O médico se tornou o principal suspeito. Conforme a delegacia, foram encontradas divergências entre os depoimentos prestados pelo médico, por suspeitos e por testemunhas.
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João Jazbik Neto teve prisão domiciliar concedida no dia 23 de maio, após a defesa entrar com habeas corpus.
O médico responde pelo processo em liberdade e, conforme informado pelo advogado José Trad nesta quinta-feira (30), o ele segue sendo monitorado por tornozeleira eletrônica.
O que diz o Ministério Público
Em nota, o Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul informou que ainda não ofereceu a denúncia sobre o caso. Confira a nota na íntegra.
"Em atenção à solicitação, informamos que, até o momento, a denúncia ainda não foi oferecida pelo Ministério Público, uma vez que o procedimento aguarda o encaminhamento de diversos laudos periciais, considerados necessários para a análise conclusiva dos fatos e eventual adoção das providências cabíveis. Assim que os laudos pendentes forem juntados aos autos e analisados, o caso terá o devido encaminhamento pela Promotora de Justiça responsável."
O que diz a Polícia Civil
"A Polícia Civil do Estado de Mato Grosso do Sul, por intermédio da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) diante de matérias veiculadas recentemente na imprensa a respeito do inquérito policial que investiga a morte da fisioterapeuta Fabíola Marcotti, vem a público esclarecer que, ao contrário do que vem sendo noticiado, nenhum laudo pericial conclusivo foi juntado até o presente momento aos autos, de modo que as informações que afirmam a existência de laudo anexado e apontam conclusões não correspondem à realidade do procedimento.
A autoridade policial informa que a investigação encontra-se em fase ativa de instrução, com a realização de oitivas de testemunhas e demais diligências necessárias para o esclarecimento dos fatos. Por fim, orienta-se que quaisquer informações relativas ao caso que não sejam transmitidas de forma oficial pela autoridade responsável ou pela Assessoria de Comunicação da Polícia Civil sejam analisadas com cautela, a fim de evitar a disseminação de dados e o tumulto ao andamento dos trabalhos, reafirmando o compromisso da instituição com a transparência e o rigor técnico."
Fabíola Marcotti foi encontra morta dentro de casa em maio deste ano, em Campo Grande.
Redes sociais/Reprodução
"Fazer justiça pela Fabíola". É assim que José Flavio Marcotti e Patrícia Marcotti, irmão e cunhada da fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos, definem a luta da família desde a morte dela. Fabíola foi encontrada morta em uma casa na Chácara dos Poderes, em Campo Grande, no dia 18 de maio deste ano. A família afirma que busca esclarecer o caso e responsabilizar os envolvidos, caso o crime seja confirmado.
Segundo a família, a convicção de que Fabíola não tirou a própria vida surgiu no dia em que os parentes tiveram acesso ao corpo, antes mesmo da divulgação do laudo pericial. Após a conclusão do exame necroscópico, os familiares afirmam que o documento do Instituto de Medicina e Odontologia Legal de Mato Grosso do Sul (Imol-MS) reforça a suspeita de feminicídio.
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"A gente é a voz dela agora. Então, a gente conseguiu fazer disso uma justiça pela Fabíola", disseram.
Desde a morte da fisioterapeuta, a investigação considera duas possibilidades: feminicídio ou suicídio. O principal suspeito é o marido dela, o médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos. Ele chegou a ser preso, mas atualmente cumpre prisão domiciliar e é monitorado por tornozeleira eletrônica.
Família diz que suspeitou da versão de suicídio desde o início
O casal, que mora em São Sebastião (SP), contou ao g1 que viajou para Campo Grande assim que soube da morte de Fabíola. No dia seguinte à chegada, pediu para ver o corpo antes do funeral.
"Eram muitas coisas que não faziam sentido. Quando vimos a Fabíola, tivemos certeza de que aquilo não era um suicídio. Naquele momento, nós entendemos que precisávamos falar por ela."
Segundo a família, um profissional que acompanhava os procedimentos na funerária também demonstrou estranheza. De acordo com os familiares, ele afirmou já ter visto diversos casos de suicídio ao longo da carreira, mas disse que nunca havia encontrado uma situação semelhante.
Os familiares afirmam que, antes mesmo da conclusão da perícia, já havia indícios que levantavam dúvidas sobre a hipótese inicial. Eles citam os ferimentos no corpo, a posição em que Fabíola foi encontrada e a forma como a arma estava ao lado da vítima.
Ainda conforme o casal, Fabíola apresentava hematomas em diferentes partes do corpo, como rosto, mão e coxa. Segundo eles, esses ferimentos reforçam a suspeita de violência doméstica durante o casamento.
Família diz que Fabíola planejava recomeçar a vida
"A gente já sabia o quanto estava sendo difícil o casamento, tanto que a gente queria trazer ela pra cá pra ela refazer a vida dela. Porque lá, ela não podia, ela não tinha vida, ela não podia mais trabalhar, não podia sair, não podia fazer nada", contou a cunhada.
A cunhada afirmou que conversou com Fabíola pouco antes da morte e planejava levá-la para o litoral paulista.
"Ela ligava chorando e pedia ajuda. Nós queríamos trazê-la para São Sebastião para que pudesse recomeçar a vida, voltar a trabalhar e reconstruir a rotina. Infelizmente, não deu tempo", relataram.
Segundo a família, o isolamento era tão intenso que funcionários da propriedade eram orientados a evitar contato com Fabíola.
"Ela queria recomeçar. Nunca demonstrou qualquer intenção de tirar a própria vida. Pelo contrário, estávamos planejando trazê-la para perto da família", disse.
O casal afirma que acompanha o trabalho da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) e diz confiar na condução da investigação.
Segundo os familiares, a polícia pediu mais prazo para concluir diligências e reunir provas técnicas.
Apesar disso, a família critica a decisão da Justiça que permitiu ao investigado responder ao processo em liberdade, com uso de tornozeleira eletrônica.
"A sensação é de impunidade", afirmaram.
Relembre o caso
A fisioterapeuta Fabíola Marcotti foi encontrada morta com um tiro na cabeça dentro de casa. O esposo da vítima, o médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, chegou a chamar a polícia e afirmou que a mulher teria tirado a própria vida. O caso aconteceu no dia 18 de maio deste ano.
No dia seguinte, em 19 de maio, o médico foi preso em flagrante após a polícia encontrar armas sem documento na casa onde a morte aconteceu.
Em 20 de maio, a prisão foi convertida para preventiva e João Jazbik Neto foi indiciado pelos crimes de posse irregular de arma de fogo e fraude processual.
Desde a morte de Fabíola, o caso é investigado como feminicídio ou suicídio. O médico se tornou o principal suspeito. Conforme a delegacia, foram encontradas divergências entre os depoimentos prestados pelo médico, por suspeitos e por testemunhas.
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Polícia aponta divergências e abre inquérito para investigar morte de esposa de cardiologista em MS
João Jazbik Neto teve prisão domiciliar concedida no dia 23 de maio, após a defesa entrar com habeas corpus.
O médico responde pelo processo em liberdade e, conforme informado pelo advogado José Trad nesta quinta-feira (30), o ele segue sendo monitorado por tornozeleira eletrônica.
O que diz o Ministério Público
Em nota, o Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul informou que ainda não ofereceu a denúncia sobre o caso. Confira a nota na íntegra.
"Em atenção à solicitação, informamos que, até o momento, a denúncia ainda não foi oferecida pelo Ministério Público, uma vez que o procedimento aguarda o encaminhamento de diversos laudos periciais, considerados necessários para a análise conclusiva dos fatos e eventual adoção das providências cabíveis. Assim que os laudos pendentes forem juntados aos autos e analisados, o caso terá o devido encaminhamento pela Promotora de Justiça responsável."
O que diz a Polícia Civil
"A Polícia Civil do Estado de Mato Grosso do Sul, por intermédio da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) diante de matérias veiculadas recentemente na imprensa a respeito do inquérito policial que investiga a morte da fisioterapeuta Fabíola Marcotti, vem a público esclarecer que, ao contrário do que vem sendo noticiado, nenhum laudo pericial conclusivo foi juntado até o presente momento aos autos, de modo que as informações que afirmam a existência de laudo anexado e apontam conclusões não correspondem à realidade do procedimento.
A autoridade policial informa que a investigação encontra-se em fase ativa de instrução, com a realização de oitivas de testemunhas e demais diligências necessárias para o esclarecimento dos fatos. Por fim, orienta-se que quaisquer informações relativas ao caso que não sejam transmitidas de forma oficial pela autoridade responsável ou pela Assessoria de Comunicação da Polícia Civil sejam analisadas com cautela, a fim de evitar a disseminação de dados e o tumulto ao andamento dos trabalhos, reafirmando o compromisso da instituição com a transparência e o rigor técnico."
Fabíola Marcotti foi encontra morta dentro de casa em maio deste ano, em Campo Grande.
Redes sociais/Reprodução
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Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do grupo Redebackup e sim de sua fonte citada acima.


